Especial

Nunca entendeu como as coisas funcionavam. Em um momento estava aqui, depois não mais. Em um momento sorria e era seu mundo, no outro, além do vazio, só havia espaço para as lágrimas. Em um momento era luz e alegria. No outro, queria apenas se esconder e chorar em paz.
Não sabe o que aconteceu, em que momento se perdeu, só sabe que o azul do céu que irradiava beleza pela manhã, não podia ser comparado com as nuvens que exalavam tristeza ao fim da tarde. Em uma sala de paredes cinzas desabou, forçada a contar suas mágoas. Se sentia incompreendida e contrariada. Tinha tanto a dizer, mas nenhuma palavra de sua boca saiu.
Os olhos entregavam a confusão de sua mente e a máscara escondia o medo nos lábios trêmulos. O coração doía, a alma gritava e implorava por um fim. O silêncio calou. Os olhos se fecharam e choraram todas as dores escondidas por tanto tempo. A chuva lavou sua alma e limpou todos os resquícios de dor e sofrimento. Não se sentia pronta, só sabia que devia seguir. Nunca antes um momento tinha a desconcertado tanto, nunca antes se sentiu daquela forma. Estava acostumada a viver sozinha, mas nunca se sentiu só.
Naquele dia nublado de sentimentos e emoções, sentiu a solidão no peito e o amor que rejeitara em poucas palavras. Não estava acostumada a ser cuidada. Só sabia cuidar dos outros e, na calada da noite, remendar seus pedaços. Era forte sozinha, era autossuficiente. Não precisava de mais nada. Mas as amarras da autoproteção haviam sido quebradas. Alguém entrara no seu mundo e o desestabilizara. Alguém havia aberto as portas da liberdade. Uma fenda de esperança surgira e lhe enchia de novas promessas e ilusões. Uma sacudida para a vida. Para viver. Talvez precisasse. Talvez não, nunca saberá.